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Ricardo Reis

  Ricardo Reis nasceu em 19 de setembro de 1887, na cidade do Porto. Formou-se em medicina e, por ser grande defensor do regime monárquico, no ano de 1919, expatriou-se no Brasil para fugir do regime republicano recém-instalado em Portugal.

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  Fernando Pessoa escreve como Ricardo Reis depois de uma deliberação abstrata que subitamente se concretiza numa Ode. As temáticas principais de Ricardo Reis são: as boas formas de viver, o prazer, a serenidade e o equilíbrio.

Filosofias de vida

Epicurismo

O epicurismo consiste na filosofia moral de Epicuro (341-270 a. C.), que defendia o prazer como caminho da felicidade. Mas, para que a satisfação dos desejos seja estável, sem desprazer ou dor, é necessário um estado de ataraxia. 

Estoicismo

O estoicismo é uma corrente filosófica que considera ser possível encontrar a felicidade desde que se viva em conformidade com as leis do destino que regem o mundo, permanecendo indiferente aos males e às paixões, que são perturbações da razão. O ideal ético é a apatia, que se define como ausência de paixão e permite a liberdade, mesmo sendo escravo.

Neopagagismo

O neopaganismo é a hierarquização ascendente - animais, homens, deuses e Fado que a todos preside.

Neoclassicismo

O neoclassicismo: revivalismo da cultura da Antiguidade Clássica.

Horacionismo

O horacianismo seguiu de perto o pensamento da defesa do prazer do momento, ao considerar o "carpe diem" como necessário à felicidade.

Classicismo

Classicismo é como uma máscara política. Contemplação da natureza e desejo de aprender a viver com ela; afastamento social e rejeição da práxis (proatividade).

Ataraxia

Ataraxia é o sofrimento pela consciência do que o rodeia, sobretudo tratando-se de pessoas.

Linguagem, estilo e estrutura

- Linguagem erudita, culta e latinizante;

- Estilo e forma complexos espelham o conteúdo;

- Tom didático e moralista e coloquial na presença de um interlocutor;

- Preferência pelas odes, com regularidade métrica, estrófica e rimática;

- Vocabulário específico;

- Irregularidade estrófica, métrica e rimática;

- Recursos expressivos predominantes: comparação, metáfora, anáfora, repetição, anástrofe e gradação.

Não quero recordar nem conhecer-me

Leitura do poema

Não quero recordar nem conhecer-me.

Somos demais se olhamos em quem somos.

        Ignorar que vivemos

        Cumpre bastante a vida.

 

Tanto quanto vivemos, vive a hora

Em que vivemos, igualmente morta

        Quando passa connosco,

        Que passamos com ela.

 

Se sabê-lo não serve de sabê-lo

(Pois sem poder que vale conhecermos?),

        Melhor vida é a vida

        Que dura sem medir-se.

Projeto Fernando Pessoa

Escola Secundária António Inácio da Cruz - 12ºB

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