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Fernando Pessoa Ortónimo

Para além da heteronímia, Pessoa também escrevia em nome próprio, sendo esta a sua faceta de Pessoa Ortónimo.

Temáticas de Pessoa Ortónimo

O fingimento artístico

Este fingimento é como o oposto da sinceridade humana. Pessoa intelectualiza as emoções e sensações experienciadas, sobrepondo a imaginação ao próprio coração. 

A dor de pensar

Esta intelectualização excessiva provoca sofrimento e angústia no sujeito poético, uma vez que é apresentada uma dicotomia consciência/inconsciência, mas uma impossibilidade de ter esta inconsciência. A inconsciência é procurada pelo sujeito poético nos poemas de Pessoa Ortónimo pois este considera que essa é a única forma de atingir a felicidade pura. 

A nostalgia da infância

A infância é tida como símbolo desta inconsciência pessoana, onde era feliz pois era inconsciente. Devido a isso, o poeta apresenta uma nostalgia e um desejo de reviver esta infância idealizada e estilizada, como se esta fosse um paraíso perdido.  

Sonho e Realidade

Nos poemas de Pessoa Ortónimo dá-se uma transmutação entre a realidade e o mundo onírico, refugiando-se neste último. Assim, acaba por se tornar difícil a distinção entre os estados ilusórios e reais.

Linguagem, estilo e estrutura

- Quadras e quintilhas e versos em redondilha maior e menor; 

- Regularidade estrófica, métrica e rimática; 

- Presença de rima; 

- Forte utilização de recursos expressivos; 

- Vocabulário repleto de simbologia, no entanto simples; 

- Pontuação expressiva. 

Ah, bate levemente, mais levemente!

Leitura do poema

Ah, bate leve, mais levemente! 

Eu julguei morto meu coração 

Na hora passa, como demente 

Ophelia indo para a corrente, 

 

Não sei que incerta minha emoção, 

Julguei-te morto, coração triste, 

Que nada fazes salvo doer. 

Julguei-te morto, e ainda existe 

Na tua cinza algum fogo e resiste 

Em ti ainda o mal de sofrer. 

…… 

Coração triste, vibras incerto, 

Gemes na tua desolação. 

Que oásis falso no teu deserto 

Não foi esta vaga miragem perto 

Da tua inútil consolação! 

…… 

Recolhe, monge definitivo 

Ao peito aonde te abrigas 

(…) 

…… 

Sê firme, crê que ninguém deseja 

O teu asilo ou o teu abrigo. 

Em teu deserto nada viceja. 

Quem queres tu que te queira... 

Coração triste, vive contigo. 

…… 

Abdica e vive de não viver! 

…… 

Pobre criança que queria ter 

Em toda a vida canções de amor (…) 

Projeto Fernando Pessoa

Escola Secundária António Inácio da Cruz - 12ºB

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